23/06/2025

Densidade aparente: o fator determinante na sua encapsulação

A uniformidade das cápsulas pode estar comprometida quando o problema está no critério de enchimento.

Muitas farmácias ainda utilizam tabelas de peso fixo baseadas apenas no tamanho da cápsula. Apesar de comum, essa abordagem ignora a densidade aparente dos pós, um fator muito importante que pode comprometer a qualidade do produto final.

O que acontece na prática

Vamos a um exemplo: uma cápsula número 0 que possui um volume interno médio de aproximadamente 0,68mL (ou 0,68 cm³). Esse valor é fixo, pois diz respeito ao espaço físico dentro da cápsula.

Contudo, o quanto de pó cabe dentro desse volume depende diretamente da densidade aparente do pó utilizado, tais como o excipiente e o ativo.

Comparando dois excipientes comuns:

1. Lactose monoidratada

·         Densidade aparente média: ~0,80 g/mL

·         Cálculo: 0,68 mL × 0,80 g/mL = 544mg

·         Interpretação: Uma cápsula tamanho 0 pode ser preenchida com aproximadamente 520 a 550mg de lactose, considerando pequenas perdas no processo.

2. Celulose microcristalina (Ex.: Avicel® PH 101)

·         Densidade aparente média: ~0,50 g/mL

·         Cálculo: 0,68 mL × 0,50 g/mL = 340mg

·         Interpretação: A mesma cápsula comporta, nesse caso, entre 330 a 380mg de celulose.

A diferença é de até 200mg entre os dois excipientes, utilizando exatamente a mesma cápsula.

Ou seja: mesmo tamanho de cápsula, volumes iguais, mas massas completamente diferentes.

Por que isso importa

Se você define o peso de enchimento com base apenas no tamanho da cápsula (Ex.: “cápsula 0 sempre leva 500mg”), está assumindo que todos os pós possuem a mesma densidade, o que raramente é verdade na prática.

Consequências de ignorar essa variação:

·         Subdosagem ou superdosagem do princípio ativo, principalmente se ele for fracionado proporcionalmente ao excipiente.

·         Variação significativa entre cápsulas do mesmo lote

·         Reprovação em testes de uniformidade de conteúdo

Solução prática:

Ao desenvolver ou revisar uma fórmula encapsulada, é fundamental:

1. Determinar a densidade aparente da mistura final (excipiente + princípio ativo).

2. Calcular o peso máximo que cabe na cápsula com base nessa densidade e no volume da cápsula.

3. Ajustar a fórmula, se necessário, trocando excipientes ou até alterando o tamanho da cápsula.

O papel do controle de qualidade

No Quallità, realizamos ensaios de densidade aparente e uniformidade de conteúdo que permitem identificar essas variações antes que se tornem problemas. Nossos laudos técnicos ajudam farmácias a ajustarem seus protocolos de encapsulação com base em dados concretos.

Quer saber mais sobre como otimizar seu processo de encapsulação? Entre em contato com nossa equipe.

Também convidamos você a acompanhar nossas publicações no Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn.

Compartilhe: