Fator de correção da pureza do princípio ativo
Nem toda matéria-prima farmacêutica possui 100% de pureza. A qualidade de um medicamento manipulado não depende apenas da técnica na encapsulação ou da escolha dos excipientes. Um dos pontos mais críticos para a segurança do paciente é a dosagem correta do princípio ativo. E é justamente para evitar desvios nesse processo que se aplica o fator de correção (FC).
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Relembrando o que é o fator de correção da pureza?
O fator de correção é um cálculo matemático aplicado quando a matéria-prima não apresenta 100% de pureza. Este ajuste garante que o paciente receba exatamente a dose prescrita pelo médico, compensando as impurezas presentes no princípio ativo.
Cada substância tem uma faixa especificada, descrita na respectiva monografia, nas farmacopeias brasileiras e internacionais.
O cálculo do fator de correção inerente à pureza do insumo deve ser realizado a cada novo lote utilizado, observando o teor de princípio ativo declarado pelo fabricante, no certificado de análise do fornecedor.
Como calcular o fator de correção
A fórmula é simples e direta:
FC = 100 / pureza
A pureza deve ser expressa em percentual (%)
Exemplo de cálculo: Supondo que o certificado de análise do fornecedor de alopurinol declarou que o teor de princípio ativo, em relação à base anidra, é de 98,5%. Portanto, para cada 100 mg da substância pesada, 98,5 mg possuem atividade terapêutica e 1,5 mg são impurezas e precisam ser compensadas para que o medicamento produzido não sofra esse déficit de dosagem.
O fator de correção é calculado pela razão entre o desejado (100%) e o disponível (98,5%). Portanto, neste exemplo:
FC = 100 / 98,5 = 1,015
Como aplicar o FC na manipulação
Depois de calcular o FC, é necessário aplicá-lo no cálculo da quantidade a ser pesada:
Quantidade a pesar = quantidade prescrita × FC × número de unidades
Exemplo prático: Para uma prescrição de 30 cápsulas de alopurinol 100 mg, a partir deste suposto lote, a quantidade de matéria-prima seria então:
100 × 1,015 × 30 = 3,045 gramas
Note que há uma pesagem de 45 mg a mais do que seria pesado se a matéria-prima utilizada tivesse uma pureza de 100%, e essa diferença pode e deve ser considerada no orçamento da formulação. Por isso, avalie sempre junto ao seu fornecedor, no momento da cotação, matérias-primas dentro dos padrões farmacopeicos, visando ao melhor custo-benefício!
O que pode acontecer quando o FC é ignorado? Deixar de aplicar o fator de correção pode levar a consequências graves:
- Subdosagem (o paciente recebe menos princípio ativo que o indicado)
- Superdosagem (caso o FC seja aplicado incorretamente)
- Falha terapêutica
- Comprometimento da segurança do paciente
- Risco à responsabilidade técnica do farmacêutico
Mais controle, mais segurança. O fator de correção não é apenas um detalhe operacional. Ele é um pilar de precisão na manipulação de fórmulas.
Farmácias que controlam o FC com responsabilidade demonstram compromisso real com:
- Eficiência terapêutica
- Confiança do paciente
- Excelência técnica
Sua farmácia aplica o fator de correção corretamente? Para contar com o suporte de um laboratório que entende a importância de cada ajuste na manipulação farmacêutica, entre em contato com o Quallità.
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